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Administração de Serviços – Estágios do desenvolvimento econômico

Resumo:

Explicar ao leitor os estágios do desenvolvimento econômico, bem como os benefícios que o setor de serviços podem trazer para a economia.

Palavras-chaves:

Serviços, Gestão, Profissional, Pós-industrial, Economia, Sociedade

Texto:

Caros leitores,

Dando continuidade a série de postagens sobre a administração de serviços, na publicação de hoje serão abordados os estágios do desenvolvimento econômico em que as nações, possivelmente, podem figurar.

Este post poderá passar a impressão de ser chato ou de baixa relevância, porém trata-se exatamente do inverso. Para que uma empresa possa trabalhar com a prestação de serviços é necessário que o município, estado e/ou país forneçam condições mínimas para tal. A mesma situação aplica-se a economia do país, ou seja, trata-se de uma evolução de uma sociedade de economia baseada na agricultura para uma economia baseada na produção de bens, ou seja, industrializada. Após o estágio de industrialização, passa-se ao estágio pós-industrial, ou seja, o estágio onde o país possui uma alta concentração de profissionais atuando na área de serviços, e não no chão de fábrica.

Uma vez que o leitor compreenda a explicação apresentada acima, deve-se ser apresentado quais são os possíveis estágios de desenvolvimento econômico.

Att_1No início do século passado, ou seja, século XX, os Estados Unidos da América contavam com três, de cada dez trabalhadores empregados no setor de serviços e os demais no setor industrial e agrário. Em 1950, o setor de serviços já detinha 50% da força de trabalho. Hoje, o setor de serviços detém oito de cada dez profissionais. Verifica-se assim, uma impressionante evolução na composição da força de trabalho que deixou de ser predominantemente baseada em manufatura e passou a ser baseada em serviços.

Segundo alguns estudiosos da área de administração, verifica-se que as economias que já estão situadas no estágio de desenvolvimento econômico industrializado evoluem de maneira natural para o setor de serviços. Segundo apresenta Colin Clark, economista e estatístico britânico, a medida em que as nações se industrializam, torna-se inevitável a transferência dos empregos de um setor da economia para outro.

Segue abaixo um breve resumo sobre os três estágios da economia:

  • Sociedade Pré-industrial: neste estágio econômico a maioria da população vive em situação de subsistência. A vida é tida como uma disputa contra a natureza, baseada no trabalho braçal e na tradição. A força de trabalho está concentrada na pesca, mineração e agricultura. O ritmo do trabalho é condicionado de acordo com a estação do ano. Há pouca evidência do uso de tecnologia nas atividades e a produtividade é baixa. A vida social é concentrada na família que, agregada ao fato de baixa produtividade, gera uma taxa significativa de subempregos (baixa qualificação e baixa remuneração).
  • Sociedade Industrial: neste estágio da economia a população passa a medir o padrão de vida pela quantidade de bens materiais, ou seja, neste caso há a predominância da produção de mercadorias. A produção é alavancada pelas máquinas que aumentam a produção e ditam o ritmo do trabalhador com duras cargas de trabalho e relógios de ponto controlando os períodos de trabalho. O profissional passa a ter semi-especialização, para poder operar adequadamente as máquinas. O trabalho é realizado nas fábricas, onde as pessoas cuidam das máquinas. Neste estágio econômico as organizações são hierárquicas e burocratizadas, suas operações passam a ser impessoais e as pessoas são tratadas como objetos. Verifica-se na sociedade a pressão constante da vida industrial versus as reivindicações por condições melhores feitas pela força sindical dos trabalhadores.

VC_Sabia_SindicalSociedade Pós-industrial: neste estágio econômico a população está preocupada com a qualidade de vida baseada em serviços como lazer, saúde e educação. Diferente da situação industrial, o ponto central deste estágio é o profissional e a informação figura como principal recurso, valorizando a capacidade intelectual do profissional. A capacitação passa a ser primordial para o profissional, tendo a educação de nível superior como uma condição para inserção social. Passa a existir a consciência de que ações isoladas de um indivíduo podem prejudicar o todo, como, por exemplo, o uso inadequado da água, trânsito e poluição. Passa a existir reivindicações por serviços básicos de qualidade e por justiça social.

Abaixo, segue uma tabela com as características de cada estágio econômico apresentado anteriormente:

Características do estágios econômicos - Adm. de ServiçosOutro ponto que deve ser bem compreendido pelo leitor é o tipo de serviços que compõem a economia. Pode parecer ao leitor que o setor de serviços é composto por profissionais de baixa qualificação e com baixa remuneração, o que é errado. Apesar de existirem serviços desta natureza, o que vem crescendo na economia é prestação de serviços de alta especialização, o que tem mudado o modo de vida dos profissionais, o nível de qualificação destes profissionais, as áreas de atuação, entre outros. Isto pode ser percebido pelo aumento de pessoas com nível superior, inclusive no Brasil.

A evolução da economia de industrial para pós-industrial apresenta benefícios do ponto de vista econômico, isto se deve ao fato da economia se tornar menos cíclica. Os serviços, diferente dos produtos, não podem ser estocados, ou seja, são criados e consumidos em tempo real, ou seja, instantaneamente. Outro ponto é que quando a situação econômica se torna ruim, as empresas podem adiar gastos com compra de produtos, uma vez que podem consertar ou reutilizar equipamentos que já possuem, fato que não pode ocorrer com serviços.

Para finalizar, segue uma série de benefícios da economia pós-industrial:

  • Aumento das oportunidades profissionais;
  • Aumento dos rendimentos dos profissionais;
  • Aumento da especialização dos profissionais;
  • Maior estabilidade econômica;
  • Maior flexibilidade para o profissional exercer suas atividades;
  • Maior flexibilidade de tempo para os profissionais.

Considerações Finais:

Apresentou-se nesta postagem algumas informações referentes a base para a prestação de serviços. Como ressaltado no início, por mais que possa parecer ao leitor que tal informação não seja relevante, acredite, ela é de total relevância.

Por experiência do autor, verifica-se muitas organizações e profissionais que falam em prestação de serviços, administração de serviço, entre outros, porém nota-se a deficiência do conhecimento de como a economia necessita estar estruturada por seus governos para que possam haver empresas que trabalhem fornecendo serviços, profissionais capacitados para que haja mão de obra adequada para estas empresas e infraestrutura para que os profissionais e as organizações possam ofertar serviços que agreguem valor ao cliente.

Para os profissionais que trabalham com Gestão de Serviços de TI, esta postagem é fundamental, pois nenhum dos grandes frameworks de TI, como a ITIL, abordam serviços desta maneira. O máximo que o framework ITIL aborda é que os serviços eliminam restrições dos clientes, o que é uma visão pobre de um assunto que merece muito mais aprofundamento.

Na próxima postagem, serão abordas as características do serviço e, após isto, serão iniciados os posts sobre o framework ITIL.

Referências Bibliográficas:

http://www.marxists.org/portugues/pannekoe/1936/mes/sindicalismo.htm

http://pt.wikipedia.org/wiki/Sindicalismo

Administração de Serviços: operações, estratégia e tecnologia da informação – 7ª edição – James A. Fitszsimmons, Mona J. Fitzsimmons – AMGH Editora LTDA. 2014

http://www.gregoryclark.net/page4/page4.html

http://pt.wikipedia.org/wiki/Colin_Clark_%28economista%29

Sobre o autor

Daniel Teran Duarte

Formado em análise e desenvolvimento de sistemas e pós-graduado em Administração de empresas pela FGV – Fundação Getúlio Vargas, e em Consultoria empresarial pela FIA – Fundação Instituto de Administração. Em seus conhecimentos complementares existem diversas certificações, com destaque para as seguintes: Formado em análise e desenvolvimento de sistemas e pós-graduado em Administração de empresas pela FGV – Fundação Getúlio Vargas, e em Consultoria empresarial pela FIA – Fundação Instituto de Administração.

Em seus conhecimentos complementares existem diversas certificações, sendo estas: PMP – Project Management Professional; PRINCE2® Practitioner; PSM I – Professional Scrum Master I; HCMP® 3G Expert Professional; MCP - Microsoft Project 2013; ITIL V3 Expert; ISO 20.000 Consultant Manager; HDI SCM - Support Center Manager; Cobit; ISO 9001:2015 Auditor Líder; ISO 22301:2012 Auditor Líder.

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